APRENDENDO STORYTELLING COM A PIXAR | THEREVIEWBOOKS.COM.BR

Em artigos anteriores eu citei aqui e ali a força e a importância do Storytelling. Hoje, vamos ver na prática o que é, e como o storytelling pode nos ajudar na hora de escrever nosso livro e para exemplificar esses ensinamentos escolhi um caso de sucesso emblemático, a Pixar.

Renomado estúdio de animação que vem ganhando todas as gerações com histórias que derrubam as barreiras de idades, linguagem e tempo. Quem nunca se emocionou, gargalhou ou se apaixonou com uma animação deles? Vamos aprender com os gênios criadores de Procurando Nemo, Toy Story, Divertidamente, Carros, Vida de Inseto e muitos outros a contar uma história de forma que prenda o leitor e o encante de forma certeira.

Se você chegou nesse artigo completamente de paraquedas, esse é o quinto post da série Escrevendo um bestseller: um guia prático para escrever o seu próprio livro de sucesso. E para não perder tudo o que rolou até agora, é só clicar nos links abaixo:

Escrevendo um bestseller #1 » O Começo
Escrevendo um bestseller #2 » O Primeiro Parágrafo
Escrevendo um bestseller #3 » Como Achar sua Individualidade
Escrevendo um bestseller #4 » Aprenda a escrever com suas leituras
Escrevendo um bestseller #5 » Aprendendo Storytelling com a Pixar
Escrevendo um bestseller #6 » Por que usar Prólogos
Escrevendo um bestseller #7 » Como se livrar de Bloqueio Criativos
Escrevendo um bestseller #8 » Conhecendo o seu Gênero
Escrevendo um bestseller #9 » O Primeiro Capítulo
Escrevendo um bestseller #10 » Construindo sua audiência antes da publicação
Escrevendo um bestseller #11 » 8 maneiras para você continuar motivado a escrever
Escrevendo um bestseller #12 » Criando personagens autênticos e reais

O que é Storytelling?

Se você procurar pelo termo no google vai achar uma tonelada de conteúdo, já que a técnica caiu nas graças da galera de marketing e publicidade e está cada vez mais ficando popular no Brasil. O equivoco aqui, é que o termo queridinho do pessoal da comunicação, muitas vezes distorce o que a técnica verdadeiramente é.

Se é assim, mas o que diabos realmente é a tal de storytelling?

Tell, do inglês, contar. E story, que significa história.
Pois então, Storytelling nada mais é do que a ação de contar histórias.

Contar história não é muita novidade não é mesmo? Fazemos isso desde os homens das cavernas, tudo o que consumimos está cercado por histórias, nossos programas de TV, jogos de vídeo games, os aplicativos que usamos no dia-a-dia, e lógico, o que vemos nos filmes e lemos nos livros.

Tudo que conta uma narrativa, que tem um início, meio e fim, é um storytelling. Porém, para ser ainda mais específico na nossa definição e explicar todo o frisson por trás da técnica:

Storytelling é o ato de contar uma narrativa relevante.

A história que você conta ou quer contar, precisa agregar alguma coisa para o seu leitor. Por isso esse artigo é tão importante. Vamos aprender com ele, dicas valiosas de como aplicar boas técnicas de storytelling no livro que estamos escrevendo.

Descubra: 116 Perguntas para você construir personagens irresistíveis.

Aprendendo Storytelling com a Pixar Animation Studios

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1. Grandes narrativas são universais

O grande desafio de escrever uma história é fazer com que algo comum seja verdadeiramente épico. Você deve reparar que as grandes histórias tem sempre algo em comum, elas narram situações que podem acontecer com qualquer um, mas de uma forma única.

Pete Docter, diretor da Pixar explica isso muito bem:

O que você está tentando fazer, quando conta uma história, é escrever sobre um evento em sua vida que fez você se sentir de alguma maneira particular. E o que você está tentando fazer quando conta uma história é fazer com que o público tenha o mesmo sentimento.

Mas como fazemos isso? Simples, estudando. Pegue uma história que você goste, pode até ser uma de sua lembranças mais queridas e separe absolutamente tudo que você ama nela.

Em outras palavras, entenda o que te motiva sobre ela e tente transmitir isso enquanto narra essa mesma história. Construir essa conscientização, esse auto conhecimento é o pilar de toda grande narrativa.

2. Grandes histórias têm estruturas e objetivos bem definidos

A Estrutura

A Pixar usa e abusa de uma estrutura criada pelo dramaturgo Kenn Adams, conhecida por “The Story Spine”, que consiste basicamente numa formula mega simples de se contar histórias, que é:

Era uma vez um/uma________.
Todo dia,__________.
Um dia, então__________.
Por causa disso, __________.
Por causa disso__________.
Até que finalmente_______.

O Objetivo

Muitas vezes quando começamos a escrever uma história sabemos o que queremos que aconteça no começo, no meio e no fim dela. Entretanto, raras são as vezes que temos um objetivo claro para a nossa história, com isso a Pixar nos ensina a responder de ante-mão essas 3 perguntinhas:

1. Por que você deve contar essa história?

2. Qual é o sentimento dentro de você do qual sua história se alimenta?

3. O que sua narrativa ensina?

Quando você conta uma história, você deve ser apaixonado por ela. Ela deve servir a um propósito real, assim ela terá um impacto maior no mundo do que só entreter.

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3. Faça personagens que as pessoas torçam por eles

As pessoas amam um bom perdedor! Um personagem azarão, chama a atenção imediata das pessoas. Afinal, meritocracia é o que a maioria de nós acredita, por isso quando seu personagem luta contra todas as possibilidades, enfrenta adversidades ou estão numa sinuca de bico e precisa sair disso, bem, isso dá grandes histórias.

A Pixar explica que nós, como público, admiramos um personagem por tentar mais do que pelo seu sucesso. Em outras palavras, é mais sobre a jornada do personagem do que o seu destino real.

Descubra: Saiba tudo sobre a jornada do herói.

Se você ainda precisa ser convencido de que escrever sobre um perdedor é uma boa. Quantas vezes você viu por aí uma história sobre um empreendedor que largou tudo para viver seu sonho, falhou centenas de vezes, mas não desistiu e alcançou o tão esperado objetivo?

4. Grandes histórias usam e abusam das emoções

Raiva, nojo, medo, felicidade, tristeza e surpresa, essas são as 6 emoções básicas dos seres humanos. E são tão bons pontos para se explorar, que até a própria pixar os usou num filme. Quem não amou Divertidamente?

Então a partir de hoje você vai prestar atenção nas suas próprias emoções e se perguntar: Porquê?

Tente entender o porque você está se sentindo daquele jeito e assim compreender melhor as coisas por trás daquelas emoções e usá-las nas suas histórias.

5. Grandes histórias são surpreendentes e inesperadas

Pare um minuto e pense num conto de fadas. Pensou? Deixa eu tentar adivinhar, uma princesa indefesa com problemas e um príncipe encantado que salva a princesa e o dia. O que isso também nos lembra: MESMISSE!

Sim, enredos assim podem ser clássicos, mas são totalmente previsíveis, e ninguém curte coisas previsíveis.

O que torna as histórias que a Pixar conta tão especiais, é que elas fogem do totalmente óbvio e esperado. Eles trabalham novas formas de percepção, mudando um pouco ali e aqui e tcharãn: fenômeno.

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Os grandes criadores usam seus filmes para abordar fenômenos, questões, estereótipos e normas da vida real. Valente, Moana e Viva – A vida é uma festa, são enredos que nos fazem refletir sobre grandes grandes tópicos centrados no ser humano, sobre os quais, de outra forma, não teríamos tempo para pensar.

Muitas vezes, esses tópicos ou temas são surpreendentes e inesperados, deixando o público pensando na história bem depois de terminar.

Se você está empenhado em criar algo realmente único, a Pixar recomenda se livrar da primeira coisa que vem à mente – e depois da segunda, terceira, quarta e quinta.

Desafie-se a cavar fundo.

6. Grandes histórias são simples e focadas

Nós, como público, conhecemos uma boa história quando vemos ou ouvimos uma.

Você já assistiu a um filme ou leu um livro em que tinha que ficar perguntando a si mesmo (ou a outra pessoa) o que estava acontecendo na trama? Não é uma boa experiência.

Como criadores de conteúdo, naturalmente queremos incluir o máximo de informações possível em nossas histórias. Queremos embalar a história cheia de personagens e traçar reviravoltas e diálogos.

E muitas vezes podemos nem perceber que estamos adicionando camadas que não precisam estar lá.

O conselho da Pixar é “combinar personagens e pular em desvios”.

Enquanto você, como criador, pode achar que está perdendo muitas coisas valiosas, isso o libertará no final e permitirá que seu público se perca na narrativa.

Uma maneira de descobrir se sua história é fácil de seguir é contar a um amigo ou membro da família que nunca a ouviu antes. Assista seu rosto enquanto você lê e tente ver onde eles param e que perguntas eles podem ter.

Simplifique, simplifique, simplifique.

Com 13 Academy Awards, 9 Globos de Ouro e 11 Grammys a Pixar é a grande contadora de histórias da nossa geração. Eles conseguem como ninguém misturar as pitadas certas de emoções, motivações e psicologia e com isso movimenta seu público exatamente para onde eles querem.

A Pixar não cria apenas animações, ela cria lições de vida. Podemos aprender com eles como pegar algo corriqueiro e transformá-lo em épico.

Se você se interessou sobre o assunto e quer aprender direto com os criadores da Pixar, eles disponibilizaram na Khan Academy um curso completo e grátis chamado “A Arte do Storytelling” em tradução livre, o conteúdo programático inclui vídeos e atividades, infelizmente tá tudo em inglês, mas os vídeos contam com legendas em português.

Por hoje é só, conta aqui nos comentários pra gente o que achou desse assunto, se já praticava alguma dessas dicas ou se já fez o curso da pixar. Vejo vocês no próximo tópico, que é Prólogos. Até lá seguimores.

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