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Um Dia » David Nicholls

Um Dia de David Nicholls foi publicado em 2011 pela editora Intrínseca, tem tradução de Cláudio Carina e adaptação pro cinema assinada pelo diretor Lone Scherfing e foi estrelado por Anne Hathaway e Jim Sturgess, se você chegou aqui querendo saber sobre o filme, esse é o seu post.

Eu ganhei esse livro de aniversário em 2013 e é um dos poucos livros que foi relançado com a capa do poster do filme, que eu curto mais o relançamento que o original. Essa resenha foi originalmente postada no blog Conspirantes e Skoob. E é publicada aqui com revisão e adaptações.

Se tem uma coisa que eu amo fazer é odiar, sim eu sou uma hater de carteirinha. Mas quem não é, certo?

Com livros eu estou sempre torcendo o nariz para alguma coisa, seja porque o enredo é teen demais, clichê de menos (amante de clichê aqui, po**a rs) e outras tantas razões. Normalmente quando o livro ganha o público muito rápido, eu vou passar bem longe dele. E foi o que aconteceu com Um Dia, que eu só fui ler depois que virou filme, febre, “sumiu” e lógico, eu ganhei.

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Ficar imune a narrativa do livro é impossível. Com um enredo criativo e instigante, Um Dia mostra a história conturbada de amor de Dexter e Emma, mostrando a nós leitores somente um único dia de cada ano, de 20 anos dos personagens. Esse foi outro motivo que me afastou do livro e que depois me prendeu nele. Eu sou muito curiosa e antes de ler a história, achei que não ia conseguir saciar esse meu lado intrujão.

Parece que você vai receber uma história retalhada, cheia de pontas soltas e incompreensível, mas não.

Emma e Dexter são personagens muito cativantes e extremamente bem construídos, David sobre trabalhar tão bem as passagens e transições da história que você quase nem percebe que perdeu 364 dias da vida dos personagens (7.280 dias se for contar todos os 20 anos). O que eu achei um feito exemplar.

Não me lembro de ver por aí nenhum livro com essa proposta. Vocês conhecem?

Outro ponto muito relevante para mim no livro, e que demonstra bem o talento do autor, é o desenvolvimento dos personagens. O livro se passa num intervalo, como disse antes, de 20 anos. Não são 20 dias, não é mesmo? Então logo no começo somos apresentados a uma Emma e um Dexter imaturos, se formando na graduação e a transição desse status de jovem adulto para adultos no fim do livro é claro como o dia.

Os erros e acertos de crescer estão todos ali, bem definidos a cada página de Um Dia e a cada 15 de julho de cada ano de 1988 a 2008.

Esse é um aspecto que conta muitos pontos pra mim, já que detesto aqueles livros YA que começam e terminam sem que os personagens cresçam e evoluam. Ao fim de leituras como essa, me sinto enganada e usada.

“Engraçadissimo, e também notável, comovente e, à própria maneira, despretencioso, embora muito profundo”
– The Guardian

Quotei o Guardian por que para mim é a melhor definição desse livro. Conforme você vai lendo, vai se envolvendo tanto com a história e a vida dos personagens, que quando o o final chega dá vontade de morrer, matar alguém, sei lá. Apenas escrever um fim diferente e aceitável.

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Afinal, Um Dia tem um pequeno problema, ele assim como a vida, não tem um felizes para sempre. E eu estava tão ligada com os personagens que não aceitei bem o desfecho das coisas. Meu eu de 24 anos, simplesmente não quis aceitar na época e tenho certeza que se releio hoje o livro, também não seria capaz de passar imune ao desfecho e ao ponto final.

A lição final dessa obra prima de David Nicholls é a de que devemos aproveitar a vida e dar atenção para aquelas pequenas coisas que sempre deixamos para depois.

Quando eu ganhei o livro o filme já havia estreado, mas eu me segurei pra ver depois de ler tudo, e não me arrependi. Evitei uma roleta russa de spoilers e ainda ganhei mais uma versão linda da história, porque, sim, essa adaptação foi uma das melhores feitas.

E antes que torçam o nariz para essa questão, cito aqui Meg Cabot que na Bienal do Livro de 2015 disse algo muito interessante, que quando você vende seu livro pro cinema é como deixar seu manuscrito em uma caixinha de correio e despachar pra bem longe. Então outras pessoas iram cuidar dele e fazê-lo crescer.

Para mim o filme de Um Dia muda o que pode ser mudado e complementa o que o livro não fala, sem contar que Anne Hathaway e Jim Sturgess são ótimos pro papel, quase exatamente o que eu imaginei como Emma e Dexter. Por isso eu estou sugerindo que você também veja o filme, e se já viu, leia o livro pra conhecer mais fundo esse romance.

Publicitária carioca, 27 anos, apaixonada por histórias de suspense e romances policiais. Autora "aposentada" de fanfics, esteve a frente do extinto site de fanfics interativas Dream Store Fanfictions, desde a sua criação em 2007. Nutrindo desde aquela época, uma vontade de ajudar autores iniciantes a escrever melhor e alcançar seus objetivos. No The Review Books é responsável pela série "Escrevendo um Bestseller" e pela identidade visual do site e redes sociais.